Inovação

Confira case do Mato Grosso na produção de proteína animal brasileira

O Mato Grosso é um estado do centro-oeste brasileiro com grande participação na produção de grãos. Mas suas características únicas também colocam o estado na liderança da produção de proteínas.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que o Mato Grosso produziu cerca de 1,28 milhão de toneladas de carne em 2017. E as perspectivas são animadoras para a pecuária do estado. Segundo estimativas da Rabobank, banco especializado no ambiente agro, o crescimento médio anual da produção de carne bovina será de 5% no estado, atingindo 1,7 milhão de toneladas em 2023.

A produção de carne de frango e suína também é significativa e as perspectivas indicam crescimento. A carne de frango terá evolução de 9%, somando 757 mil toneladas, já a suína irá a 305 mil, com crescimento anual de 7%.

Projeta-se que nos próximos cinco anos a produção de carnes do estado do Mato Grosso vai subir 40%”, diz o analista de proteínas da Rabobank, Adolfo Fontes.

Ainda de acordo com Fontes estes resultados são fruto da capacidade de inovação aliada ao desenvolvimento de sistemas de produção presentes no estado. Mas quais são os outros motivos dessa grande presença do MT na produção de proteína animal brasileira? Adiantamos que esse sucesso passa por um conjunto de fatores.

Crescimento da agricultura impulsiona a pecuária do Mato Grosso

Pela análise do mercado, Fontes diz ser possível afirmar que o crescimento da agricultura seja um dos grandes responsáveis para o desenvolvimento da produção de proteína animal e vice-versa. E a maior disponibilidade de grãos tem contribuído significativamente com o desenvolvimento da pecuária no Mato Grosso.

Como resultado dessa parceria agricultura/pecuária, o estado também se destaca com um elevado número de cabeças confinadas, o maior do país. Mas, além da intensificação tradicional, outros sistemas semi-intensivos têm se destacado, como a integração lavoura-pecuária e o semi-confinamento.

Além do maior acesso ao grão (mais barato), a cadeia produtiva de carnes tem ganhado uma alternativa importante e interessante para alimentar o gado no estado: os coprodutos do etanol de milho, como explica Fontes.

Como resultado da chegada da produção de etanol de milho ao estado, os produtores de proteína animal passaram a contar também com o WDG (Grãos Úmidos de Destilaria) e com o DDG (Grãos Secos de Destilaria), que são coprodutos da produção de etanol”.

O analista explica que estes coprodutos têm sido amplamente utilizados nos EUA nas últimas décadas e podem contribuir agora com o aumento da disponibilidade de ração o ano todo na região.

O desafio logístico é alto, mas o custo da ração justifica a distância

Realmente os desafios logísticos representam fatores complicadores da pecuária mato-grossense, principalmente em razão da distância com grandes centros consumidores e portos, mas Adolfo Fontes ressalta que o custo da ração compensa todo esse empecilho.

De fato, o custo logístico para escoar a produção do meio-norte do estado é destacadamente superior ao encontrados em outras regiões produtoras, como o oeste do Paraná. Porém, a economia com a compra de alimentação no estado, mais do que compensa a distância em relação aos grandes mercados consumidores”, comenta.

A indústria processadora de carnes também começa a aportar no estado de Mato Grosso em busca de custos de produção mais competitivos. Fontes lembra que na última década, o crescimento do volume produzido no estado ficou acima da média brasileira.

A expectativa é de que esse movimento se acentue nos próximos dez anos, uma vez que o baixo custo da alimentação animal na região compensa – e muito – o aspecto logístico que aumenta os custos com o transporte para portos ou polos consumidores da região Sudeste”.

Consolidação como estado exportador

Como podemos ver, o Mato Grosso é um forte abastecedor do mercado interno, mas na visão do analista é que o estado também está se consolidando como um importante exportador de proteínas.

O estado já é um importante exportador de proteína para outros estados e países”, ressalta Fontes. Do total produzido pelo Mato Grosso, estima-se que atualmente apenas 20% é consumido localmente, com o restante sendo enviado para fora do estado.

Nesse sentido, Fontes explica que produção de proteína no estado ocorre em propriedades com economia circular, onde os resíduos animais se tornam coprodutos na própria região, tal fato insere a carne em um modelo de produção sustentável.

Dessa forma, o analista explica que há redução de custos de produção agregada a inclusão de atributos de sustentabilidade ao produto final, beneficiando todo o sistema.

A combinação destes dois fatores é bem-vinda, já que traz vantagem competitiva para a produção local, além de elevar o interesse de consumidores que buscam produtos sustentáveis”, finaliza Fontes.

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